CRISPR | Reino Unido testa pela primeira vez em campo uma cultura obtida por edição genética ao abrigo da nova legislaçãoBlog
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Ensaio com camelina geneticamente editada pretende aumentar a produção de óleo e poderá abrir caminho à aplicação da tecnologia em culturas agrícolas de maior relevância económica.

✍️ Carla Amaro / CiB

O centro de investigação britânico Rothamsted Research iniciou o primeiro ensaio de campo no Reino Unido com uma cultura desenvolvida através de edição genética ao abrigo do novo quadro legal para organismos obtidos por melhoramento genético de precisão. Este é um passo importante para a biotecnologia agrícola no país e para a avaliação do potencial destas tecnologias em condições reais de cultivo.

A cultura escolhida para este ensaio é a Camelina sativa, uma oleaginosa utilizada na produção de óleos vegetais e biocombustíveis. O objetivo é testar variedades editadas geneticamente para verificar se os resultados obtidos em laboratório se confirmam no terreno.

O ensaio é o primeiro a ser registado ao abrigo da Lei de Tecnologia Genética (Melhoramento de Precisão), aprovada no Reino Unido em 2023, e das respetivas regulamentações que entraram em vigor em 2025. Esta legislação criou um regime específico para plantas desenvolvidas através de técnicas de edição genética que reproduzem alterações que poderiam ocorrer naturalmente ou resultar de métodos tradicionais de melhoramento.

Aumentar o tamanho das sementes e o teor de óleo

A equipa responsável pelo projeto, liderada pelas investigadoras Smita Kurup e Mollie Langdon, recorreu à tecnologia de edição genética CRISPR-Cas9 para modificar genes envolvidos na divisão celular durante o desenvolvimento dos óvulos da planta.

Ao atuar sobre estes mecanismos biológicos, os cientistas procuram aumentar o tamanho dos óvulos em formação, o que poderá resultar em sementes maiores e com maior teor de óleo. Segundo os investigadores, as alterações introduzidas consistem em pequenas inserções e deleções de ADN semelhantes às que podem surgir naturalmente ou através de cruzamentos convencionais.

Potencial para aplicação em culturas de maior importância económica

Os investigadores esperam que os conhecimentos obtidos com a camelina possam ser posteriormente aplicados à colza, uma das principais culturas utilizadas na produção de óleo vegetal no Reino Unido.

Caso os resultados de campo confirmem o desempenho observado em ambiente controlado, a tecnologia poderá contribuir para aumentar a produtividade das culturas oleaginosas e reforçar a produção nacional de óleos vegetais.

Para a equipa de Rothamsted Research, estes ensaios representam uma etapa essencial para avaliar de que forma o melhoramento de precisão pode ajudar os agricultores a produzir culturas mais produtivas e sustentáveis, contribuindo para responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas e pela crescente procura de alimentos e matérias-primas agrícolas.

O ensaio constitui também um teste importante à nova legislação britânica, que pretende acelerar a inovação agrícola através de um enquadramento regulatório mais adaptado às tecnologias modernas de edição genética.

Leia o estudo no site do centro de investigação Rothamsted Research.