
Uma equipa de engenheiros da University of Florida desenvolveu o primeiro sistema CRISPR do mundo que utiliza DNA, em vez de RNA, como guia para direcionar enzimas de edição genética. O avanço, publicado na revista Nature Biotechnology, desafia a premissa científica estabelecida há décadas de que o RNA é indispensável como molécula orientadora nos sistemas de CRISPR aplicados à edição de RNA.
✍️ Carla Amaro / CiB
O novo sistema foi concebido para aumentar a precisão e a estabilidade no direcionamento de moléculas de RNA dentro das células. Enquanto o RNA funciona como uma cópia temporária das instruções genéticas, erros nessas cópias podem ter consequências biológicas significativas. Ao substituir o RNA por DNA como guia, os investigadores conseguiram melhorar o controlo sobre a regulação do RNA sem alterar diretamente o ADN do organismo.
“Permite-nos corrigir ou ajustar as instruções que a célula está a utilizar em tempo real, sem modificar imediatamente o DNA”, explicou Piyush Jain, autor principal do estudo e professor associado no Departamento de Engenharia Química da Universidade da Flórida.
Os resultados mostram que o sistema guiado por DNA apresenta uma precisão significativamente superior face às abordagens anteriores e consegue detetar infeções virais como HIV e hepatite C com 100% de precisão, segundo os investigadores.
Após décadas de investigação centrada em sistemas CRISPR guiados por RNA, este trabalho introduz uma abordagem totalmente nova para o controlo desta ferramenta de edição genética, uma das mais poderosas da biologia moderna.
A equipa acredita que esta tecnologia poderá abrir caminho a novos avanços no diagnóstico e no desenvolvimento de terapias, com possíveis aplicações clínicas iniciais dentro de poucos anos.
Leia o estudo no site da Universidade da Flórida.
