CRISPR | Edição genética cria alface verde mais rica em compostos antioxidantesBlog
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Uma equipa de investigadores no Japão conseguiu alterar a cor de uma variedade de alface vermelha para verde através da tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9, aumentando simultaneamente a concentração de flavonoides benéficos associados a propriedades antioxidantes. O avanço poderá contribuir para o desenvolvimento de hortícolas com características nutricionais específicas adaptadas à agricultura de ambiente controlado.

✍️ Carla Amaro / CiB

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Tsukuba, que procuravam compreender de que forma a manipulação da via biossintética dos flavonoides poderia influenciar a composição química da alface.

As antocianinas (pigmentos responsáveis pela coloração vermelha de algumas variedades) pertencem ao grupo dos flavonoides, compostos produzidos naturalmente pelas plantas e frequentemente associados a efeitos antioxidantes. Para interromper a produção destes pigmentos, os investigadores inativaram um gene ligado à enzima dihidroflavonol 4-redutase (DFR), considerada essencial numa fase avançada da síntese das antocianinas.

A alteração genética eliminou a tonalidade vermelha das folhas, mas os efeitos não se ficaram pela aparência. As análises metabólicas mostraram que a planta passou a acumular níveis mais elevados de outros flavonoides, incluindo quercetina, um composto estudado pelo seu potencial antioxidante e anti-inflamatório.

Segundo os autores, a modificação não provocou impactos negativos relevantes no crescimento nem na produtividade das plantas, sugerindo que esta abordagem poderá permitir o desenvolvimento de variedades com perfis nutricionais ajustados sem comprometer o desempenho agrícola.

Os investigadores destacam ainda que a produção de flavonoides é influenciada por fatores ambientais como luz e temperatura. Por isso, a combinação entre edição genética e sistemas de cultivo controlado (como agricultura vertical ou biorreatores) poderá facilitar a produção de hortícolas com características funcionais específicas.

O trabalho integra esforços mais amplos para utilizar novas técnicas genómicas no desenvolvimento de culturas alimentares com propriedades nutricionais otimizadas.

Fonte: University of Tsukuba
Estudo: Frontiers in Genome Editing (DOI: 10.3389/fgeed.2026.1755922)