
Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu uma nova ferramenta de diagnóstico baseada em CRISPR capaz de detetar e distinguir vários vírus numa única análise laboratorial. O método, criado por cientistas do Korea Advanced Institute of Science & Technology, em colaboração com a University of California, Berkeley e os Gladstone Institutes, utiliza a velocidade de reação das proteínas de edição genética como “assinatura” para identificar diferentes vírus, incluindo a COVID-19 e a gripe.
✍️ Carla Amaro / CiB
A tecnologia recorre à proteína Cas13, uma “tesoura genética” do sistema CRISPR que, ao reconhecer o RNA de um vírus, corta moléculas de RNA próximas e gera um sinal luminoso indicativo da presença viral. Até agora, a deteção simultânea de vários vírus exigia diferentes tipos de proteínas CRISPR ou múltiplos marcadores fluorescentes, tornando os testes mais complexos e menos práticos para utilização no terreno.
Para ultrapassar esta limitação, os investigadores concentraram-se na velocidade com que a Cas13 reage perante diferentes vírus. A equipa desenvolveu assim um sistema designado “kinetic barcoding”, que identifica os vírus através dos seus padrões específicos de velocidade de reação. Ajustando o RNA-guia utilizado no processo, o método pode ser adaptado para detetar múltiplos vírus com uma única ferramenta, eliminando também a necessidade de converter RNA em DNA, uma etapa normalmente necessária em muitos testes moleculares.
Os testes realizados em amostras de pacientes conseguiram distinguir vários vírus respiratórios e diferentes variantes da COVID-19 numa única reação. Segundo o professor Sung-min Son, trata-se do “primeiro caso de utilização de uma nova informação — a velocidade de reação das tesouras genéticas — para fins de diagnóstico”.
Os investigadores acreditam que esta abordagem poderá contribuir para o desenvolvimento de testes rápidos mais simples, eficientes e adequados para utilização em contexto clínico ou em situações de surtos epidémicos.
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