CRISPR | Primeira videira geneticamente editada em África tem maior resistência a doenças e à secaBlog
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Investigadores na África do Sul desenvolveram a primeira videira geneticamente editada no continente africano. Os cientistas usaram a tecnologia CRISPR para aumentar a resistência a doenças e melhorar a tolerância à escassez de água. Um avanço com potencial para proteger a produção de uvas das alterações climáticas.

✍️ Carla Amaro / CiB


Uma equipa de cientistas da Stellenbosch University e do Agricultural Research Council, na África do Sul, alcançou um marco histórico na biotecnologia africana ao desenvolver a primeira videira editada geneticamente no continente.

O trabalho, publicado na revista científica Plant Stress, utilizou a tecnologia CRISPR-Cas9 para desativar um gene específico, conhecido como VvDMR6.1, associado à suscetibilidade das plantas a infeções.

O principal objetivo foi combater o míldio, uma doença fúngica devastadora que representa uma ameaça constante à viticultura em todo o mundo. Ao silenciar este gene, os cientistas conseguiram reduzir significativamente a vulnerabilidade da videira ao agente patogénico.

Além da resistência a doenças, os resultados revelaram um benefício adicional inesperado: as plantas editadas demonstraram maior capacidade de conservação de água. Este efeito duplo sugere que uma única alteração genética direcionada pode reforçar simultaneamente a defesa contra pragas e a adaptação a condições ambientais adversas, como a seca.

De acordo com a investigadora principal, Manuela Campa, esta inovação surge num momento crítico, em que as alterações climáticas estão a intensificar tanto os períodos de seca como a incidência de doenças nas culturas agrícolas.

Embora a edição genética já seja amplamente aplicada em culturas anuais, a sua utilização em espécies lenhosas perenes, como a videira, tem sido limitada devido aos longos ciclos de melhoramento e à complexidade dos processos de regeneração. Este avanço poderá, assim, abrir caminho a práticas agrícolas mais sustentáveis e resilientes em África.

Esta descoberta tem implicações importantes para o futuro da produção de vinho e de uvas de mesa no continente, ajudando a proteger culturas de elevado valor económico face a um ambiente cada vez mais instável.

Leia aqui o estudo.