
Uma nova variedade de banana que não escurece após ser cortada ou descascada foi autorizada pelas entidades reguladoras do Japão e do Brasil, podendo ser importada, vendida e consumida e, no caso do Brasil, também cultivada. Além de abrir caminho para a comercialização e consumo desta variedade nestes mercados-chave, a decisão promete reduzir o desperdício.
✍️ Carla Amaro / CiB
A empresa britânica de biotecnologia agrícola Tropic anunciou a aprovação da sua inovadora banana que não escurece em dois dos mais importantes mercados mundiais de fruta fresca: Japão e Brasil. A decisão permite a importação, venda e consumo da nova variedade em ambos os países, sendo que o Brasil autorizou também o seu cultivo.
Esta banana foi desenvolvida com recurso a técnicas de edição genética que desativam o gene responsável pela produção da enzima polifenol oxidase, a principal causa do escurecimento da polpa. O resultado é uma banana que mantém o sabor, a textura e o aroma semelhantes aos da variedade Cavendish, mas que permanece fresca, firme e amarela durante mais tempo, mesmo após ser cortada.
A inovação foi distinguida como uma das melhores invenções de 2025 pela revista Time, reforçando o seu potencial impacto no setor alimentar. Ao prolongar o tempo de conservação, esta variedade poderá reduzir perdas ao longo de toda a cadeia, desde o retalho à restauração, contribuindo para sistemas alimentares mais sustentáveis.
O Japão, conhecido pelos elevados padrões de qualidade e exigência dos consumidores, surge como um mercado estratégico para produtos com maior durabilidade e frescura. Já o Brasil, responsável por cerca de 10% da produção mundial de banana, representa uma oportunidade significativa tanto para produtores como para consumidores, ao introduzir uma opção de maior valor acrescentado e menor desperdício.
Segundo Gilad Gershon, estas aprovações refletem uma crescente confiança internacional nas novas tecnologias agrícolas e marcam um passo importante na disponibilização de produtos inovadores aos consumidores.
Atualmente, a Tropic já obteve autorizações para os seus produtos em 11 países, incluindo Estados Unidos, Canadá e Filipinas, abrangendo mais de 70% do mercado de produção e mais de 30% do consumo global de banana.
Além desta variedade, a empresa lançou também uma banana com maior tempo de prateleira, prolongando a fase verde em até 12 dias, e prevê introduzir, até 2027, uma versão resistente à doença do Panamá (TR4), uma das maiores ameaças globais à produção de banana.
Considerada a fruta mais consumida no mundo e a quarta cultura alimentar mais importante, a banana desempenha um papel crucial na segurança alimentar global. Inovações como esta poderão ajudar a garantir a sua disponibilidade e sustentabilidade nas próximas décadas.
Mais informação no site da Tropic.
