Bioinformática | Equipa internacional mapeia genoma e características agronómicas da beringelaBlog

Um consórcio internacional de investigadores criou o mapa genético e agronómico mais completo de sempre da beringela, abrindo caminho para o desenvolvimento de variedades mais adaptadas, resistentes e nutritivas.

Uma equipa de investigação internacional, com a participação do INRAE (Instituto Nacional de Investigação Agronómica de França), publicou o mais detalhado mapa genético alguma vez criado para a beringela, com potencial para transformar o futuro do melhoramento genético deste importante alimento.

O estudo reuniu dados de mais de 3.400 variedades de beringela, incluindo exemplares cultivados e selvagens de todo o mundo. Os cientistas conseguiram identificar mais de 20 mil famílias de genes e caracterizar 218 traços agronómicos cruciais — desde a resistência a doenças fúngicas, como a murchidão, até à capacidade antioxidante do fruto.

Utilizando ferramentas de bioinformática avançada, os investigadores estabeleceram mais de 3.000 associações entre traços específicos e mutações genéticas que os determinam. Esta informação resultou na criação de dois recursos científicos sem precedentes: o pangenoma (conjunto de todos os genes da espécie) e o panfenoma (conjunto de todos os traços agronómicos observáveis).

O estudo, publicado na revista Nature Communications, disponibiliza um conjunto de dados em acesso aberto que poderá ser utilizado por melhoradores genéticos em todo o mundo. A base de dados permite desenvolver variedades de beringela personalizadas, adaptadas a condições ambientais locais, práticas agrícolas em evolução e aos impactos das alterações climáticas.

Além do contributo técnico, a investigação conseguiu ainda reconstituir a história da domesticação da beringela, confirmando as suas origens na Índia e Sudeste Asiático, antes da sua disseminação global. Os cientistas destacam a importância vital de preservar a biodiversidade genética como ferramenta para enfrentar os desafios futuros da segurança alimentar.

Mais informação no site do INRAE .