CRISPR | Algodão editado geneticamente mostra resistência promissora contra nemátodo reniformeBlog

Investigadores nos Estados Unidos usaram a ferramenta CRISPR-Cas9 para editar o gene MLO3 do algodão, conseguindo reduzir significativamente a presença de um dos parasitas mais prejudiciais à cultura: o nemátodo reniforme.

Um novo estudo revelou que o algodão de planície (Gossypium hirsutum L.), quando geneticamente editado, apresenta maior resistência ao nemátodo reniforme, um dos principais parasitas que afetam esta cultura agrícola. A investigação foi conduzida por cientistas da Universidade de Clemson, da A&L Scientific Editing Inc. e da Cotton Incorporated, que utilizaram a tecnologia de edição genética CRISPR-Cas9 para analisar o papel do gene MLO3 na defesa natural da planta.

Foram criadas e testadas quatro linhas de algodão geneticamente editadas (A1, D3, E1 e P3) em ensaios de estufa. O objetivo foi avaliar a capacidade destas plantas modificadas em limitar a reprodução do parasita, em comparação com variedades convencionais. Os resultados mostraram que duas das linhas, D3 e E1, apresentaram uma redução significativa na quantidade de ovos e formas ativas do nemátodo, superando as variedades de controlo Coker 312 (WT), Delta Pearl e Jin668.

Apesar de terem sido observados alguns compromissos no crescimento das plantas, os investigadores confirmam que a inativação do gene MLO3 pode suprimir as populações de nemátodo reniforme, oferecendo uma estratégia promissora para o desenvolvimento de variedades de algodão mais resistentes.

Os cientistas recomendam a realização de testes adicionais em condições de campo, especialmente com as linhas D3 e E1, para validar a resistência observada e analisar o comportamento das plantas face a outros nemátodos parasitas.

Este avanço biotecnológico poderá representar um passo importante para a sustentabilidade na produção de algodão, reduzindo a dependência de pesticidas e as perdas económicas associadas às infestações parasitárias.

Leia o estudo aqui.