Relatório | Inteligência artificial aliada à biotecnologia pode transformar a agriculturaBlog
Centro Nacional de Fenómica Vegetal do Instituto de Ciências Biológicas, Ambientais e Rurais da Universidade de Aberystwyth, no Reino Unido. Crédito da imagem: IBERS


Um relatório internacional destaca o potencial da inteligência artificial aliada à edição genética e outras tecnologias avançadas para acelerar a criação de culturas agrícolas mais produtivas, sustentáveis e adaptadas às alterações climáticas.


Uma equipa internacional de investigadores da China, Estados Unidos e Europa, incluindo cientistas da Universidade de Aberystwyth, no Reino Unido, apresentou um relatório inovador que traça um caminho para o futuro da agricultura. O documento propõe a integração da inteligência artificial (IA) com ferramentas de ponta como a edição genómica, o design de proteínas, a fenotipagem de alto rendimento e as tecnologias “ómicas” — que analisam a composição genética e bioquímica das plantas.

De acordo com os investigadores, esta abordagem permitirá desenvolver culturas agrícolas mais resistentes à seca, às doenças e a outros desafios ambientais, além de acelerar a produtividade e a sustentabilidade da produção alimentar. O relatório, publicado na revista científica Nature, defende também que estas tecnologias poderão abrir portas à domesticação de novas culturas, adaptadas a diferentes condições climáticas.

“O que estamos a fazer é semelhante ao design e construção de uma ponte. Já temos as ferramentas para projetar plantas com a mesma precisão — combinando conhecimento biológico com inteligência artificial para criar culturas robustas e eficientes”, explicou o Professor John Doonan, director do Centro Nacional de Fenómica Vegetal da Universidade de Aberystwyth.

A IA pode, por exemplo, prever as melhores combinações de genes para aumentar o rendimento, o valor nutricional e a resistência ao stress ambiental. Pode ainda ser usada para desenhar novas proteínas que reforcem as defesas naturais das plantas e para integrar grandes volumes de dados genéticos e fenotípicos, ajudando os agricultores e cientistas a tomar decisões de melhoramento mais rápidas e informadas.

O objectivo, segundo os autores do relatório, é construir culturas resilientes “de raiz”, através da união entre biotecnologia avançada, práticas agrícolas sustentáveis e inteligência artificial, de forma a garantir a segurança alimentar das próximas gerações.

Mais informação no site da Aberystwyth University.