
Investigadores chineses desenvolveram o primeiro mapa genético do mundo que pode ajudar a proteger o trigo contra a ferrugem amarela, uma doença fúngica altamente destrutiva, conhecida como o “cancro do trigo”, responsável por perdas significativas na produção mundial.
Um grupo de cientistas chineses revelou um importante avanço na luta contra uma das doenças mais prejudiciais para o trigo: a ferrugem amarela. Esta doença fúngica, apelidada de “cancro do trigo”, ataca as plantas e causa uma quebra de produção que pode atingir até 10% das colheitas globais todos os anos.
O estudo, publicado na revista científica Nature Genetics, foi conduzido por investigadores da Universidade de Agricultura e Florestas do Noroeste da China e do Instituto de Genética e Biologia do Desenvolvimento da Academia Chinesa de Ciências. Ao longo de cinco anos, os cientistas analisaram mais de duas mil variedades de trigo de todo o mundo e mais de 47 mil registos sobre a reacção destas plantas à ferrugem amarela.
O resultado? A criação de um mapa genético detalhado que identifica mais de 400 pontos-chave no ADN do trigo relacionados com a resistência à doença. Este mapa vai permitir aos agricultores e melhoradores de plantas desenvolver variedades de trigo mais resistentes, que continuem a produzir bons resultados mesmo em ambientes onde a doença está presente.
Entre os avanços mais notáveis, os investigadores conseguiram isolar três novos genes de resistência, incluindo um que protege simultaneamente contra a ferrugem amarela e outra doença comum, o oídio. Outro gene descoberto oferece proteção contra diferentes tipos de ferrugem sem afetar negativamente o rendimento das colheitas — algo raro e altamente valioso na agricultura.
Este avanço científico representa uma nova esperança para os agricultores de trigo em todo o mundo. Com o apoio da genética e da ciência moderna, será possível produzir alimentos de forma mais segura, sustentável e resistente às alterações climáticas e às pragas agrícolas.
Leia o estudo em Nature Genetics.
