
Uma investigação de longa duração realizada na China demonstrou que o consumo prolongado de milho geneticamente modificado não provoca efeitos negativos no sistema imunitário nem no metabolismo — mesmo após duas gerações. Os resultados reforçam a confiança na segurança dos alimentos transgénicos aprovados.
Um estudo conduzido ao longo de mais de sete anos por cientistas do Instituto de Biologia Médica da Academia Chinesa de Ciências Médicas confirmou que o milho transgénico é seguro para consumo prolongado. Publicada na revista científica Journal of Agricultural and Food Chemistry, a investigação é uma das mais extensas realizadas até hoje em primatas não humanos — um modelo biológico próximo do ser humano.
A experiência envolveu duas gerações de macacos cínicos alimentados com diferentes dietas: uma com milho geneticamente modificado (GM), outra com milho convencional, e uma terceira com dieta padrão. O milho transgénico utilizado incluía genes comuns na agricultura moderna: cry1Ab/cry2Aj (que conferem resistência a insectos) e EPSPS (que permite tolerância a herbicidas).
Durante o estudo, os investigadores analisaram múltiplos indicadores de saúde, incluindo o sistema imunitário, marcadores metabólicos e o metaboloma sérico. Em todas as análises, não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos, nem sinais de impacto negativo atribuível ao milho GM. As crias dos primatas, alimentadas com a mesma dieta das mães, também não apresentaram quaisquer efeitos adversos.
“O estudo envia uma mensagem clara: os alimentos transgénicos aprovados pelas entidades reguladoras são seguros”, afirmou Miguel Ángel Sánchez, director executivo da organização ChileBio. “Este trabalho reforça, com dados de longo prazo e alta qualidade, a confiança que a ciência vem a construir há anos sobre a inocuidade destes produtos.”
Apesar de alguma controvérsia pública, a comunidade científica internacional tem vindo a reunir uma base sólida de evidência sobre a segurança dos alimentos geneticamente modificados. Organismos como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) já validaram a sua utilização, hoje permitida em mais de 70 países.
Este novo contributo científico reforça o papel dos transgénicos como uma ferramenta segura na agricultura moderna e no combate à insegurança alimentar.
