Uso de plantas GM na agricultura traz benefícios económicos, sociais e ambientaisComunicados

COMUNICADO

Comercialização de culturas transgénicas em 2006
Uso de plantas GM na agricultura traz benefícios económicos,
sociais e ambientais

23 de Janeiro de 2007

O CiB – Centro de Informação de Biotecnologia apresentou hoje, em conferência de imprensa, uma análise do relatório de 2006 sobre a comercialização global das culturas geneticamente modificadas (GM), divulgado no passado dia 18 de Janeiro, pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações da Biotecnologia (ISAAA). Para comentarem os dados publicados do relatório, o CiB convidou: Francisco Avilez, especialista em Economia Agrícola e Professor Catedrático do ISA – Instituto Superior de Agronomia; Gabriela Cazajous Cruz, agricultora e Presidente da Aposolo – Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo; e José António Matos, investigador e coordenador do Grupo de Biologia Molecular do INETI – Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação.

Segundo Gabriela Cruz, “as variedades GM (VGMs) são muitíssimo importantes para a agricultura em todo o mundo, em especial para os países em desenvolvimento, e Portugal não é excepção.” A agricultora e dirigente da Aposolo defende que apesar da utilização de VGMs na agricultura obrigar ao cumprimento das regras exigentes e a um controlo muito rígido, o seu cultivo é benéfico. Evita o uso de produtos fitofarmacêuticos (pesticidas), pois são variedades resistentes a pragas e doenças, o que se traduz em maior produtividade das plantas e consequentes benefícios económicos. A não aplicação de um pesticida traduz-se também em benefícios sociais e ambientais, pois é menos um produto tóxico com que o agricultor tem de lidar e que não contamina o ambiente. José António Matos salientou as “224 300 T de pesticidas que não tiveram de ser usadas, entre 1996 e 2005, devido ao uso de VGMs, e que não contaminaram solos, águas subterrâneas e rios.”

O investigador do INETI e Francisco Avilez consideram que “as previsões do ISAAA para o futuro – 20 milhões de agricultores a produzirem culturas GM em 200 milhões ha até 2015 – são modestas”.

Segundo os comentadores, a partir do momento em que variedades de arroz GM forem aprovadas para comercialização, prevê-se que a sua produção na Ásia seja muito elevada. Por exemplo, uma das variedades que será disponibilizada dentro de poucos anos é o “arroz dourado”, enriquecido com beta-caroteno. O seu consumo será fundamental nas populações asiáticas para impedir a cegueira, principalmente nas crianças. Estas previsões foram também consideradas modestas, porque algumas plantas como o milho e a colza serão decisivas para a produção de biocombustíveis em todo o mundo. A utilização de variedades GM destas plantas trará capacidade competitiva aos seus produtores que as utilizarão em larga escala.

O especialista em economia agrícola, Francisco Avilez, considerou ainda que as potencialidades da soja e do algodão transgénico são superiores às apresentadas e que a utilização das duas culturas GM irá chegar rapidamente aos 90-100% em todo o mundo.

Na apresentação da avaliação deste relatório esteve também o Presidente do CiB. Pedro Fevereiro salientou que “mais uma vez se demonstrou que as culturas geneticamente modificadas continuam a merecer a confiança dos agricultores, sobretudo dos pequenos agricultores dos países em desenvolvimento, que as escolhem devido à sua eficiência e facilidade de manuseamento”. O Presidente do CiB chamou ainda a atenção para o “claro aumento da aceitação desta tecnologia demonstrado pelo ritmo de adopção – cerca de 12% ao ano -, que é o mais rápido conhecido para uma nova tecnologia agrícola”. Pedro Fevereiro explicou também que o uso de plantas geneticamente modificadas na União Europeia (EU) tem sido reduzido, devido à controvérsia pública relacionada com as variedades de plantas geneticamente modificadas e à demora dos dispositivos legais de aprovação na UE para assegurar a segurança da sua utilização.

Destaques do Relatório do ISAAA

  • A área global de produção comercial de culturas GM, em 2006, atingiu os 102 milhões ha, tendo crescido 13% em relação a 2005, ou seja, plantaram-se mais 12 milhões ha com variedades GM;
  • 10,3 milhões de agricultores adoptaram esta tecnologia, mais 1,8 milhões do que em 2005;
  • Os 9,3 milhões de agricultores que cultivaram plantações GM em 2006, ou seja cerca de 90%, são pequenos produtores de países em desenvolvimento, o que representa um impacto socio-económico significativo nas regiões onde as culturas GM foram utilizadas;
  • Cultivaram-se plantas GM em 22 países e outros 29 aprovaram a importação de variedades GM para consumo humano ou animal, ou seja, actualmente 51 países utilizam variedades GM;
  • O crescimento na adopção foi maior nos países em desenvolvimento com um aumento de 21%, contra o aumento de 9% nos países desenvolvidos;
  • 40% da área total utilizada para o cultivo de variedades GM – 40,8 milhões ha – localiza-se em países em desenvolvimento;
  • Os EUA continuam a liderar a produção numa área de 54, 5 milhões ha, seguido pela Argentina com 18 milhões ha, o Brasil com 11,5 milhões;
  • O maior aumento absoluto de área cultivada deu-se nos EUA, com mais 4,8 milhões ha, seguido pela Índia com 2,5 milhões ha e pelo Brasil, com 2,1 milhões ha;
  • O maior aumento relativo deu-se na Índia que aumentou a área cultiva em 192%, passando de 1,3 milhões de ha cultivados em 2005 para 3,8 milhões ha em 2006;
  • A Eslováquia passou a ser o 22º país a cultivar plantas GM e o sexto da União Europeia (UE);
  • A Espanha cultivou cerca de 60 000 ha e os restantes cinco países da EU (França, República Checa, Portugal, Alemanha, Eslováquia) cultivaram 8 500 ha, sendo este um aumento de cinco vezes em relação a 2005 – Portugal quase duplicou a área de cultivo passando para 1 250 ha de variedades de milho GM.

Deputados do Grupo de Trabalho dos OGMs visitam Laboratório de Biotecnologia

No dia de hoje, o CiB organiza, a partir das 15h e em conjunto com o ITQB – Instituto de Tecnologia Química e Biológica e o IBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica -, uma visita com Deputados do Grupo de Trabalho (GT) dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) ao Laboratório de Biotecnologia de Células Vegetais dos dois institutos. Acompanham este visita os Deputados da Assembleia da República: Jorge Almeida (PS e coordenador do GT); Glória Araújo (PS); Luís Vaz (PS); Ricardo Martins (PSD); Luís Carloto (PSD); Miguel Tiago (PCP); Abel Baptista (CDS/PP).

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