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Da Segurança dos OGM - Uma década de financiamento de investigação na UE (2001-2010)

COMUNICADO
Da Segurança dos OGM 
Uma década de financiamento de investigação na UE 
(2001-2010)

28 de Dezembro de 2010

decadeFundedEUResearchGMO

A comissão europeia publicou recentemente o relatório “A decade of EU-funded GMO research (2001 - 2010)” que conclui a elevada qualidade e segurança do uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM). O relatório tem como base a investigação realizada em consórcio nos últimos dez anos e co-financiado pela União Europeia (UE) em 200 milhões de euros, sumarizando os resultados de 50 projectos.

Estes projectos tiveram como objectivo avaliar a segurança dos OGM para o ambiente e para a saúde humana e animal e fazem parte de um enorme esforço de investigação já com 25 anos.

Este relatório segue-se a um outro publicado em finais de 2000 onde se relatavam os financiamentos e os resultados obtidos nesta área. Desde há mais de duas décadas que se investiga na UE os aspectos chave do melhoramento vegetal, como a resistência a doenças provocadas por fungos, nemátodes e vírus, e o uso eficiente do azoto. Foram também abordadas questões relacionadas com o fluxo de genes, quer vertical, quer horizontal, bem como os efeitos em organismos não-alvo e na ecologia do solo.

Depois de 25 anos de pesquisas, de um total de 300 milhões de euros investidos e o envolvimento de mais de 400 grupos de investigação europeus, o que sobressai é a conclusão de que a utilização das variedades vegetais transgénicas (obtidas com recurso à tecnologia do DNA recombinante) não constitui um risco acrescido, quer para a saúde humana e animal, quer para o ambiente, quando comparado com o uso de variedades vegetais obtidas com outras técnicas de melhoramento. Estas conclusões podem ser observadas em centenas de artigos científicos explicitando os resultados da investigação efectuada.

Segundo Pedro Fevereiro, presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, professor e investigador de biotecnologia vegetal, esta conclusão contrasta claramente com toda a parafrenália de manifestações de grupos “anti-transgénicos”, com o cepticismo de muitos políticos e com a hesitação da Comissão Europeia em agilizar os processos de aprovação de novos eventos e variedades obtidas com esta tecnologia.

Esta conclusão contrasta também com as notícias de que os OGM produzem cancros, malformações congénitas, disrupções dos ecossistemas e perdas de biodiversidade. Pedro Fevereiro declara ainda que nenhuma destas notícias tem fundamento científico, embora alguns orgãos de comunicação se empenhem em as divulgar.

As variedades vegetais transgénicas são actualmente produzidas em cerca de 10% do solo arável disponível no mundo. Permitem ganhos de produtividade de cerca de 15-20%, com redução de 10-15% do uso de fitofármacos. Permitem ainda a redução da mobilização de solos, contribuindo para a preservação de milhões de toneladas de solo arável em todo o mundo. A estas vantagens acresce a redução do uso de máquinas agrícolas e a consequente redução de uso de combustível e de emissões de carbono.

Curiosamente, em contraste com o referido normalmente, 80% dos utilizadores são pequenos agricultores, que vêem os seus lucros acrescidos devido à utilização destas sementes.

Pedro fevereiro questiona por que razão na Europa, e em particular em Portugal, se continua a desconfiar desta tecnologia, 17 anos após as primeiras colheitas com estas variedades sem que existam relatos de quaisquer problemas de saúde animal ou humano, resultante do consumo destes produtos e sem que nenhum problema ecológico relevante tenha sido encontrado? Quem está efectivamente a beneficiar com esta tensão e com a indisponibilização desta tecnologia aos agricultores portugueses?


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