Agrobiotecnologia |Coexistência entre sistemas de produção diferentes é possivelBlog
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Os sistemas de produção de alimentos – convencional, biológico e agrobiotecnologia (OGM e edição de genes) – são compatíveis? Podem estes diferentes sistemas coexistir? O caso das Honduras diz que sim.

Os sistemas de produção de alimentos – convencional, biológico e agrobiotecnologia (OGM e edição de genes) – são compatíveis? Podem estes diferentes sistemas coexistir? Para o biólogo mexicano especialista em biotecnologia e biosegurança, Luis Ventura, a resposta é simples: sim. Num texto publicado no Genetic Literacy Project, este biólogo mexicano dá como exemplo o caso das Honduras.

Embora os Estados Unidos da América sejam o melhor exemplo de que a coexistência entre diferentes culturas e sistemas de produção de alimentos é possível (uma vez que são o maior produtor de culturas geneticamente modificadas e biológicas), Luis Ventura diz que vale a pena verificar o que se passa nas Honduras, um país da América Central que é centro da origem e diversidade genética do milho nativo e ao mesmo tempo produtor de milho geneticamente modificado (GM). É o único país da América Central e um dos sete da América Latina que permite o cultivo comercial de OGM.

As variedades nativas e locais de milho têm prevalecido ao longo dos anos, apesar da produção comercial de culturas transgénicas, principalmente milho, usado para alimentação, ração animal e cultivo. Desde 1998 – ano em que o milho GM entrou no país – que a coexistência é possível, permintindo que ambos os sistemas de produção de alimentos giram lucros e tornando favorável a aceitação do mercado quanto à venda e uso de plantas GM. 

Como refere Luis Ventura, olhando para trás, os agricultores que adotaram o milho GM aumentaram a sua produtividade e transformaram a produção de milho GM nas Honduras num processo sustentável. O milho GM chegou às Honduras para dar resposta a uma crise alimentar que duplicou os preços do milho. Quando os agricultores viram os benefícios do uso da nova tecnologia, o milho GM passou a ser usado em todo o país e desde então a adoção por parte dos agricultores tem aumentado a cada ano.   

No que diz respeito à coexistência com as culturas geneticamente editadas, afirma Luis Ventura que as experiências anteriores com OGM levantam a questão: como irá o mundo lidar com o CRISPR-Cas9 e outras técnicas de edição de genes? A União Europeia submeteu a edição de genes à legislação dos OGM enquanto os EUA adotaram uma abordagem mais tolerante. As variedades geneticamente editadas apresentam alterações em apenas alguns genes-alvo e a alteração pode ser comparada a uma mutação esporádica. Pode-se dizer que variedades como as obtidas na edição do genoma já conviviam com culturas silvestres e convencionais ao longo dos anos. “Resta saber se os reguladores em todo o mundo concordam com essa avaliação”, questiona Luis Ventura.

Leia o texto original aqui.

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