Citrus greening | CRISPR pode ajudar a controlar doença que destrói citrinosBlog
Créditos da imagem: Tomi Vadász/Unsplash

Uma investigação do Instituto Agronómico de Campinas, no Brasil, é uma luz de esperança para o controle da Citrus greening, uma doença muito difícil de controlar e que aterroriza os produtores brasileiros, líderes na produção mundial de laranja. Os cientistas descobriram genes associados com resistência à doença.

A huanglongbing (HLB), vulgarmente conhecida como Citrus greening ou enverdecimento dos citrinos ataca folhas, ramos e frutos e é muito difícil de controlar. Uma planta infetada produz frutos amargos, rijos, disformes, incomestíveis, acabando por morrer poucos anos após a infeção.

Sendo o Brasil o maior produtor mundial de laranja e o Estado de São Paulo o líder da produção e exportação de sumo, não é difícil de imaginar os graves impactos socio económicos se não houver forma de controlar a doença.

Não existe no mercado nenhuma variedade tolerante à huanglongbing. A destruição das plantas infetadas é por enquanto o único meio de luta para eliminação da bactéria Candidatus Liberibbacter (na sua versão asiática, africana e americana), transmitida pelos insetos insetos Diaphorina citri e Trioza erytreae.

O grande desafio do setor é controlá-la e esse é justamente o foco da investigação que está a ser desenvolvida por cientistas do IAC – Instituto Agronómico de Campinas, em São Paulo. Para controlar a doença, os cientistas utilizam uma planta que foi geneticamente editada para ter essa capacidade; e para diminuir o custo de produção utilizam um porta-enxerto que reduz o tamanho da copa.   

O trabalho que está a ser realizado no IAC consiste em três linhas de investigação. A primeira e a segunda já estão em andamento: na primeira os investigadores fazem ensaios de campo para avaliar citrinos geneticamente modificados (GM); na segunda, utilizam o CRISPR (uma técnica de edição de genomas) para silenciar genes associados à resposta da planta à infeção causada pela bactéria do HLB. Na terceira, irão usar porta-enxertos (híbridos de tangerinas com Poncirus trifoliata), obtidos no programa de melhoramento de citros do IAC.  

Por serem perenes, só quatro anos depois da plantação é que os cientistas poderão iniciar o processo de avaliação das plantas. E depois disso serão necessários mais quatro anos para analisar o comportamento das plantas.

A investigadora do IAC Alessandra Alves de Souza revelou que a sua equipa descobriu na planta genes associados com suscetibilidade e resistência ao HLB. Ou seja, conseguiu identificar os genes que são realmente importantes e que possam ser editados através do CRISPR.

A expectativa dos cientistas é conseguir uma variedade resistente à doença em cinco anos.

A huanglongbing (HLB) surgiu no País em 2004 e estará a afetar cerca de 18% da plantação de laranjas e outros citrinos em São Paulo, Minas Gerais e Paraná, os principais estados produtores.

Em Portugal não há registo da presença da Citrus greening. Depois de  terem sido identificados os primeiros focos do inseto Trioza erytreae no território continental, na região do Porto, em resultado das prospeções oficiais efetuadas anualmente, o Ministério da agricultura reforçou as medidas de proteção fitossanitária (Portaria nº 142/2020) destinadas à erradicação da praga.

Mais informações sobre a investigação que está a decorrer no IAC aqui.

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